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Mulheres participaram, no Centro Comunitário e de Saúde do bairro, de uma aula inaugural de projeto do Centro de Referência em Agricultura Familiar, iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Município (SDE).
Fazer chá, lambedor e compressas com plantas não exige apenas sabedoria popular. Utilizar a parte correta do vegetal, manipula-lo com eficiência e saber a sua real utilidade são aspectos fundamentais para fazer remédio caseiro. Com esse principio, 30 mulheres da Parangaba participaram, ontem de manhã, no Centro Comunitário e de Saúde do bairro, de uma aula inaugural de projeto do Centro de Referência em Agricultura Familiar, iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Município (SDE). Mas elas não terão apenas as aulas. As mulheres estão aprendendo, com técnicos e professores universitários, todo o processo de cultivo de plantas e confecção dos remédios, a fim de disseminarem o conhecimento na comunidade, abastecer um posto de saúde local e, com excedente, fornecer matéria prima para a Farmácia Viva de Fortaleza. E o plano delas é ainda maior: as mulheres pensam em formar uma cooperativa e gerar ocupação e renda no bairro.
A aula inaugural ocorreu com a presença do vice-prefeito, Carlos Veneranda e de representantes das instituições envolvidas no programa: Instituto Juazeiro, Farmácia Viva da Capital, Universidade Federal do Ceará (UFC), Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e Secretaria Executiva Regional (SER) IV.
De acordo com o gerente da Célula de Agricultura Urbana da SDE, Jaime Ferré Martí, em duas aulas por semana, as mulheres estão aprendendo a cultivar plantas medicinais, a melhor aproveitar alimentos e a produzir medicamentos como chá, pomada, sabonete, lambedor e xarope.
Isso, na opinião do engenheiro agrônomo, se refletirá em segurança alimentar, ampliação da produção de remédios para o posto, inclusão de gênero, educação ambiental, uso racional de medicamentos, resgate da cultura e sabedoria popular.
Para a coordenadora do Programa Farmácia Viva de Fortaleza e assessoria técnica do Ministério da Saúde para a área de fitoterapia, Marize Girão, o uso racional está em conhecer as plantas, saber suas indicações terapêuticas e efeitos. Para Marize, que é presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF), tudo isso faz parte da ‘desmedicalização’ da sociedade. “Medicamento não é bem de consumo, nem os fitoterápicos”, esclarece.
Tanto que, nesse primeiro momento, as mulheres distribuirão mudas para a comunidade, com as devidas informações sobre as plantas, mas não comercializarão remédios. "Não queremos incentivar a confecção de medicamentos, até porque para isso, é preciso ter cuidado e autorização técnica em vigilância sanitária", diz acrescentando que a meta do programa é fazer as famílias terem a planta em casa para fazer chá, xarope, pomada.
O que vai ficar no Posto de Saúde segue o mesmo principio. Serão apenas mudas e produtos e serem distribuídos com a comunidade, mas com orientação médica. E o excedente em plantas será encaminhado para a Farmácia Viva, como matéria-prima para fitoterápicos.
CANTEIROS: O espaço onde são cultivadas as plantas fica atrás do Posto de Saúde, no terreno do CMES. Os canteiros já existiam, mas estavam desativados. No local, além das hortas, há também pneus e inusitadas mudas feitas com papel.
Como explica a coordenadora do projeto e presidente do Instituto Joazeiro, Magilce Diniz, durante o curso ainda serão feitas oficinas para preparar medicamentos caseiros que podem ser feitos em cozinha domiciliar. Em segundo momento, as mulheres conhecerão mais sobre hortaliças e legumes, que serão cultivados no canteiro e farão parte da merenda escolar da escola do CMES. "Isso vai reduzir gastos na escola e melhorar a qualidade da merenda", diz. O aprendizado da manipulação desses alimentos será no laboratório de Economia Doméstica da UFC.
Por enquanto, as mulheres já aprendem a criar alternativas no cultivo, como o uso de pneus como canteiro e a confecção de mudas com papel já usado no posto, no lugar do plástico, que ainda é usado. Se por um lado o pneu vira uma hortinha, as mudas de papel comprometem bem menos o meio ambiente do que o plástico, porque se deterioram rapidamente.
Fonte: JORNAL DIÁRIO DO NORDESTE
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